Além da liberdade: perspectivas em Nietzsche

Lucas Costa de Oliveira

Resumo


O presente artigo pretende analisar a temática da liberdade no pensamento de Friedrich Nietzsche. Partindo do seu perspectivismo epistemológico, busca-se apresentar duas concepções de liberdade encontradas na obra do filósofo: a liberdade negativa e a liberdade positiva. A primeira é aquela fundada no transcendente, no ressentimento dos fracos contra a moralidade dos fortes; absorvida e difundida pelos sacerdotes em seu desejo de punição e de julgamento. A segunda é a liberdade artística ou criadora, relacionada com o projeto mais amplo de transvaloração dos valores, visando uma moralidade afirmativa da vida. Assim, a hipótese defendida neste artigo é a de que Nietzsche busca desenvolver uma ideia de liberdade para além do conceito de “liberdade” estabelecido até então: um modelo de liberdade que eleve os homens às alturas, que possibilite uma vida afirmativa. Ao final, os principais argumentos desenvolvidos são retomados para confirmar a hipótese levantada.

Palavras-chave


Liberdade; Livre-arbítrio; Determinismo; Nietzsche; Perspectivismo

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, Luiz Filipe Araújo. A ideia de justiça em Nietzsche: ou a justiça para além da ideia. Tese (Doutorado) – Faculdade de Direito, Universidade Federal de Minas Gerais, 2016.

ANDERSON, Lanier R. Nietzsche on autonomy: the Oxford handbook of Nietzsche. Oxford: Oxford University Press, 2013.

AUDI, Robert. The Cambridge dictionary of philosophy: epiphenomenalism. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.

BARRENECHEA, Miguel Angel. Nietzsche e a liberdade. 2. ed. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008.

BLACKBRURN, Simon. Dicionário Oxford de filosofia: epifenomenismo. Tradução de Desidério Murcio et al. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1997.

EAGLEMAN, David. Incógnito: as vidas secretas do cérebro. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.

GEMES, Ken. Nietzsche on free will, autonomy and the sovereign individual. In: GEMES, Ken; MAY, Simon (Ed.). Nietzsche on freedom and autonomy. Oxford: Oxford University Press, 2009.

GIACOIA JÚNIOR, Oswaldo. Entre servo e livre-arbítrio. In: MARTINS, André (Org.). O mais potente dos afetos: Spinoza e Nietzsche. São Paulo: M. Fontes, 2009.

GIACOIA JÚNIOR, Oswaldo. Nietzsche x Kant: uma disputa permanente a respeito de liberdade, autonomia e dever. Rio de Janeiro: Casa do Saber, 2012.

GIACOIA JÚNIOR, Oswaldo. Nietzsche. São Paulo: Publifolha, 2000.

JASPERS, Karl. Introdução à filosofia de Friedrich Nietzsche. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2015.

LEITER, Brian. Nietzsche’s theory of the Will. In: GEMES, Ken; MAY, Simon (Ed.).

Nietzsche on freedom and autonomy. Oxford: Oxford University Press, 2009.

LEITER, Brian. The paradox of fatalism and self-creation in Nietzsche. In: RICHARDSON, John; LEITER, Brian (Ed.). Nietzsche. Oxford: Oxford University Press, 2001.

LIBET, Benjamim. Do we have free will? the Oxford handbook of free will. Edited by Robert Kane. Oxford: Oxford University Press, 2002.

MELO, Eduardo Rezende. Nietzsche e a justiça: crítica e transvaloração. São Paulo: Perspectiva, 2004.

NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência: do gênio da espécie. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2001.

NIETZSCHE, Friedrich. A genealogia da moral: dissertação primeira. Tradução de Mário Ferreira dos Santos. Rio de Janeiro: Vozes, 2013.

NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal. Rio de Janeiro: Vozes, 2012.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém: primeira parte: do caminho do criador. Tradução de Mário da Silva. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

NIETZSCHE, Friedrich. Aurora: reflexões sobre os preconceitos morais: aforismo 124. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2004.

NIETZSCHE, Friedrich. Crepúsculo dos ídolos: ou como filosofar com o martelo: os quatro grandes erros. Tradução de Marco Antonio Casa Nova. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000.

NIETZSCHE, Friedrich. Ecce homo: como alguém se torna o que é. Aurora. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2001.

NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2000.

NIETZSCHE, Friedrich. O anticristo: ensaio de uma crítica do cristianismo. Tradução de Pedro Delfim Pinto dos Santos. Lisboa: Guimarães Editores, 1997.

PIMENTA, Olímpio. Livro de filosofia: ensaios. Belo Horizonte: Tessitura, 2006.

PIMENTA, Olímpio. Razão e conhecimento em Descartes e Nietzsche. Belo Horizonte: UFMG, 2000.

SCHACHT, Richard.Nietzsche. The arguments of the philosophers. London: Routledge, 2002.




DOI: http://dx.doi.org/10.5102/rbpp.v8i2.5173

ISSN 2179-8338 (impresso) - ISSN 2236-1677 (on-line)

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia