A influência dos espaços públicos no comportamento das mulheres em situação de rua do plano piloto de Brasília

Rayssa Vidal Macedo de Brito, Ana Paula Borba Gonçalves Barros

Resumo


Sabe-se que a morfologia dos espaços interfere nos deslocamentos em geral
realizados nas cidades, no entanto, não há estudos específicos que afirmem se, e
como, este aspecto pode interferir na vida urbana das pessoas em situação de rua,
em especial, das mulheres. É neste contexto que este trabalho visa compreender a
influência dos espaços públicos inerentes ao espaço modernista no comportamento
das mulheres em situação de rua, especificamente no Plano Piloto de Brasília. Para
tanto, foram realizadas entrevistas com mulheres enquadradas em cinco perfis
distintos – solteira sem filho, solteira com filho, casada grávida, casada com filhos e
idosa com deficiência – cujo enfoque foi dado na maneira como ocorrem os seus
deslocamentos a pé no Plano Piloto. A partir das descrições coletadas foram
gerados mapas de trajetos, o que proporcionou verificar como tais mulheres utilizam
as áreas da cidade. Verificou-se, portanto, que com base neste pequeno escopo da
pesquisa, que a medida que a estrutura familiar aumenta, a abrangência nos
deslocamentos se reduz, bem como as dificuldades no ir e vir, no caso da gravidez e
da deficiência. Observou-se ainda que ao se realizar a análise das áreas
compreendidas pelo deslocamento destas mulheres, a área do Setor Comercial Sul
e seus arredores é a que concentra todos os perfis englobados no estudo. Assim
sendo, concluiu-se que a depender da constituição familiar das mulheres em
situação de rua, a área de abrangência dos seus deslocamentos pode sofrer
alteração possivelmente por se tratar de espaços urbanos pouco amigáveis, haja
vista haver muitos vazios urbanos, o que provoca, de certa maneira, sensações
incômodas, tais como o medo. Deste modo, pode-se inferir, para o escopo desta
pesquisa, que a forma modernista acaba por interferir na maneira como as mulheres
em situação de rua se deslocam no Plano Piloto de Brasília. No entanto, de modo a
ratificar tal metodologia, caberia, em estudos futuros, ampliar a aplicação desta
metodologia qualitativa para um maior número de perfis, bem como realizar uma
análise comparativa em cidades com formas urbanas distintas, tais como as
orgânicas e as ortogonais


Palavras-chave


Morfologia urbana. Mulheres em situação de rua. Plano Piloto de Brasília.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n1.2018.6310

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