VALIDAÇÃO DO PROTOCOLO DE MANEJO AMBIENTAL PARA CONTROLE DE LUTZOMYIA LONGIPALPIS EM ÁREAS ENDÊMICAS PARA LEISHMANIOSE VISCERAL

Maria Gabrielly Macêdo Costa, Rafaella Albuquerque e Silva

Resumo


A leishmaniose visceral (LV) é uma antropozoonose causada pelo protozoário
Leishmânia infantum e transmitida pelo flebotomíneo Lutzomyia longipalpis.
Essa doença vem modificando seus padrões de transmissão e adquirindo um
caráter urbano, periurbano e reemergente nos últimos anos. Os novos padrões
epidemiológicos de transmissão conjugam inúmeros fatores relacionados à
população humana, a população de vetores, de reservatórios, bem como as
condições ambientais. Partindo desse pressuposto, torna-se importante elaborar
medidas que acompanhem os novos padrões da doença, a partir da intervenção
epidemiológica e ações de educação em saúde, visando oferecer a população
informações acerca da transmissão, prevenção e controle da LV. Dessa forma,
esse estudo objetiva validar o protocolo de manejo ambiental para controle da
população de flebotomíneos de Brasília, Distrito Federal. Portanto, foi
selecionado para participar do estudo o Condomínio Rancho Karina (RK),
localizado em Sobradinho, devido à ocorrência de casos humanos de LV em
2014 e a prevalência de LV canina de 9,75% em 2016. Foi realizada uma
amostragem probabilística, onde foram selecionados 322 domicílios do
condomínio. A primeira etapa do projeto consiste na visita aos domicílios para a
realização da classificação dos imóveis quanto ao risco de ocorrência de LV;
aplicação dos questionários quanto à percepção da população a respeito das
medidas de prevenção e controle preconizadas para os vetores da LV; coleta de
sangue para realização do protocolo de diagnóstico de LV canina; realização da
investigação entomológica e aplicação do protocolo de manejo ambiental que
deve ser seguido pelos moradores. A segunda etapa do projeto consistirá no
retorno a todos os domicílios amostrados anteriormente para reavaliação das
condições ambientais, da prevalência de LV canina, da presença de vetores e
do conhecimento da população sobre a doença. Até o momento, foram
amostradas 40 residências, entretanto somente 37 foram classificadas: 4 (11%)
como de alto risco, 22 (59%) de médio risco, 10 (27%) de baixo risco e 1 (3%)
sem risco. Foram testados 63 animais, sendo 11 (17,5%) positivos na triagem, a
partir do TR-DPP, entretanto espera-se o resultado do Elisa, teste confirmatório.
No tocante a mensuração do conhecimento da população, 68% das pessoas
sabiam o que era LV e qual o seu agente etiológico, 90% sabiam que ela é uma
doença transmitida por vetores, entretanto somente 26% sabiam quem é o
principal vetor transmissor. O condomínio RK, pontuando principalmente as
características ambientais, é considerado uma área de risco para a transmissão
de leishmaniose visceral, com 97% das casas visitadas consideradas receptivas
ao vetor e com 17% de prevalência da doença em cães. Mesmo vivenciando
este contexto, a população não está sensibilizada para a ocorrência da doença.
Mediante estes resultados, é importante a manutenção das atividades no
condomínio RK, para que seja finalizada a primeira etapa do projeto, e assim
obtido os dados necessários para a comparação na segunda etapa. Isto
permitirá ter uma avaliação do protocolo de manejo ambiental para controle de
Lutzomyia longipalpis


Palavras-chave


Leishmaniose visceral. manejo ambiental. Lutzomyia longipalpis. cães.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n3.2017.5875

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