A EXPERIÊNCIA DE SER CUIDADOR: UMA ANÁLISE DE PROCESSOS SUBJETIVOS INDIVIDUAIS E SOCIAIS

Gustavo Andrade-Jesus, Valéria Deusdará Mori

Resumo


O cuidar se constitui como um dos exercícios mais antigos e fundamentais para a existência do ser humano. Assim, as práticas de cuidado podem ser compreendidas como uma necessidade e recurso do ser humano que perpassa as esferas biológicas, psicológicas, espirituais, antropológicas, socioculturais e ecológicas auxiliando assim na promoção, proteção, recuperação, e desenvolvimento diante da criação de novas configurações de relações nos cenários de agravos à saúde. Sendo um fenômeno complexo e abarcando produções individuais e coletivas o cuidado pode ser uma prática de caráter formal/profissional e informal/popular. Logo, cuidar de outra pessoa é um processo de troca de experiências, muitas vezes dolorosas, onde o cuidador entra em contato direto com o modo de ser, de viver do outro e de estar no mundo de uma pessoa, convivendo quase que diariamente com os medos, angustias e sofrimentos físicos e não físicos dessa pessoa. O convívio quase que diário com o sofrimento do outro implica em se relacionar com quem sofre, identificar-se e sentir-se parte do processo de adoecimento. Destaca-se nesse ponto que é impossível conviver com o sofrimento do outro e sair sem nenhum impacto/produção físico e/ou subjetivo, visto que a experiência de cuidar envolve a pessoa que é cuidada e quem cuida. Diante da problemática apresentada o estudo teve como objetivo compreender os processos subjetivos individuais e sociais na perspectiva de quem cuida. A construção das informações se deu através do método construtivo-interpretativo assentado na Epistemologia Qualitativa proposto por González Rey que considera como elementos centrais: o conhecimento como produção humana, a legitimação do singular e o processo de dialogicidade. Participou do estudo uma mulher de 45 anos, casada, com filhos e cuidadora do companheiro diagnosticado com esquizofrenia e o instrumento utilizado foi a dinâmica conversacional, por viabilizar o processo comunicacional. A guisa de conclusões possibilitou a compreensão de que o exercício do cuidado ainda é um processo quase que exclusivamente feminino, doravante, o atual cenário histórico-cultural tem atribuído à mulher novas funções na sociedade, sendo possível pensar o feminino ocupando cargos para além dos domésticos. No entanto, o cuidado vem como ponto conflituoso nesse, visto que exige da mulher em determinadas situações a (re)dedicação exclusiva ao ambiente doméstico ou ocupar outras funções e também, cuidar, o que pode acarretar sobrecarga e potencializa a viabilidade de adoecimentos somáticos e psicológicos em cuidadoras


Palavras-chave


Processos Subjetivos. Adoecimento. Cuidados em Saúde Mental.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n3.2017.5793

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