EXPRESSÃO VIA INTERVENÇÕES VISUAIS URBANAS, PROCESSOS SÓCIOCULTURAIS E MORFOLOGIA URBANA

Juliana Leal Alvim, Laura Rodrigues Furtado, Ursula Betina Diesel

Resumo


A arte de rua ou intervenções visuais urbanas são registros visuais que propiciam
reatividade e ocorrem no espaço público. Poderiam então determinar um modo de
comunicação? Fizemos deste estudo nosso objetivo e a partir dessa percepção
partirmos da hipótese de intervenções visuais urbanas serem estruturantes no
contexto de cidade e senso de pertencimento de seus cidadãos, inseridas como
vivência urbana. Pois permitem a (re)construção, ocupação e identificação com o
lugar. Para isso analisamos três grandes capitais brasileiras: Brasília – capital
nacional, Rio de Janeiro e São Paulo, nossas maiores metrópoles e as cidades mais
populosas do Brasil segundo o IBGE. Consideramos suas diferentes funções,
população, história, morfologia e intervenções. O estudo bibliográfico, a vivência
pelo espaço e o registro fotográfico se fizeram essenciais para a compreensão do
tema e configuraram nossa metodologia. No entanto, também quisemos entregar um
produto final para aquilo e aqueles que foram nossos objetos de estudo. Produzimos
então mais de 100 azulejos de 10x10cm, pintados com diferentes desenhos, mas
sempre com a “#aruafala”. Junto a alunos, em sua maioria de Comunicação Social
de ensino superior, realizamos 2 oficinas de confecção de azulejos. Criamos o
Instagram “@a.rua.fala” para divulgação de fotos e vídeos, interação com os alunos
e demais cidadãos, e para fomentar o debate sobre questões urbanas. Depois,
colamos tais azulejos em espaços públicos das três cidades mencionadas, em mais
de 5 bairros com distintas morfologias em cada uma delas. Observamos a
coexistência de pessoas nas ruas, a forma como se apropriavam do ambiente
urbano, os modais existentes, a presença ou ausência de mobiliário urbano, dentre
outros parâmetros. Fotografamos tais espaços e sua utilização pelo pedestre, bem
como os azulejos colados e seu contexto. Editamos as imagens e as relacionamos
com as bibliografias analisadas. E concluímos que a arquitetura proporciona
interação direta com o usuário (e vice-versa), num processo de construção mútua,
principalmente quando se trata do espaço urbano e coletivo. A arquitetura não é um
fim em si mesma, vem para prestar um serviço à sociedade, independente de
estereótipos e de quem seja. Mais ainda, ela articula a pessoa ao espaço - à
estrutura física e à imaterial. É ponte, pois estabelece conexão e age como
facilitadora de relações. Ora, seria ela então uma forma de arte? Também! Assim, a
arte de rua e a cidade se fundem. E enquanto a norma padrão é cada um cuida do
seu espaço, as intervenções vêm com esse caráter transgressor, são disruptivas e
dão às pessoas espaço de fala. Cria-se então uma ambientação para o palco da
vida urbana acontecer com potencial de transformar e ressignificar a cidade


Palavras-chave


Arte urbana. Arquitetura Urbana. Espaço público. Identidade. Lugar.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n3.2017.5789

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