TEMPO DE PERMANÊNCIA NO SETOR DE EMERGÊNCIA, NO AGUARDO DE LEITO DE UTI, IMPACTA NA MORBI-MORTALIDADE DE PACIENTES CRÍTICOS COM SEPSE?

Igor Santolini Mota, Frederico Caetano de Moura, José Roberto de Deus Macedo

Resumo


A sepse constitui-se na principal causa de morte nas UTIs não-coronarianas no Brasil e no mundo. O acúmulo de evidências reforça o impacto do diagnóstico e intervenções precoces no desfecho dessa síndrome. Os pacientes com sepse, nos quais os escores de gravidade foram reduzidos ainda durante a internação no setor de emergência, tiveram uma letalidade hospitalar significativamente menor. Demonstrou-se benefício na sobrevida com o uso precoce do suporte hemodinâmico guiado pela saturação venosa central de O2 e depuração precoce do lactato sérico. Estes resultados enfatizam a importância de intervenções precoces, ainda no setor de emergência. No entanto, lamentavelmente, muitos pacientes que têm o diagnóstico de sepse nas emergências, têm o tratamento iniciado somente após a admissão na UTI. A superlotação das emergências e o déficit relativo de leitos de terapia intensiva resultam na perca de horas muito preciosas para a recuperação dos pacientes. Raras são as publicações que avaliaram o impacto do tempo de permanência no setor de emergência à espera de um leito de UTI, no desfecho dos pacientes. O objetivo do nosso estudo foi avaliar a associação do tempo de espera nas emergências por leito de UTI (Tesp) no desfecho de pacientes sépticos.
Realizamos um estudo retrospectivo analítico transversal, com a população de pacientes atendidos nas emergências da Rede Pública do DF em 2016, regulados para leitos de UTI. Excluímos pacientes vítimas de trauma, cirúrgicos e menores de 18 anos de idade. Selecionamos 417 pacientes clínicos, com diagnóstico de sepse nas primeiras 48h de internação, regulados e internados em UTI, 57,4% masculinos, com idade média de 56,81 ±16,60 anos, e escore Apache II médio 16,35 ±11,25. A média de Tesp foi de 3,94 ±5,42 dias; de tempo de internação em UTI, 15,41 ±21,72 dias; e de tempo de internação hospitalar, 27,72 ±41,56 dias. A mortalidade na UTI foi de 165 (39,37%), e intra-hospitalar de 185 (44,15%) pacientes. A partir das análises estatísticas, categorizado o Tesp, verificamos que os pacientes internados em UTI com >48h de permanência na emergência
apresentaram maiores tempo de internação em UTI (11,87 ±15,38 vs 19,26 ±26.47 dias, p<0,001, teste T), e tempo de internação hospitalar (21,28 ±42,83 vs 34,71 ±39.05 dias, p<0,001, teste T). Na análise multivariada, pareada com idade, sexo e gravidade, verificamos que pacientes com Tesp >48h apresentaram maior risco de óbito na UTI [OR=1,52 (IC 95% 1,02-2,27), p=0,040] e intrahospitalar [OR=1,80 (IC 95% 1,21-2,67), p=0,004].
Nosso estudo aponta que retardo >48h no acesso a leitos de UTI, a pacientes clínicos com sepse internados nas emergências, impacta de forma desfavorável, significante e expressiva na morbi-mortalidade. Estudos prospectivos devem ser realizados para melhor análise dessas observações


Palavras-chave


sepse. setor de emergência. UTI.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n2.2016.5608

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