O"ANGELL" DE RUI: RECEPÇÃO E ADAPTAÇÃO DE NORMAN ANGELL NO PENSAMENTO DE RUI BARBOSA SOBRE POLÍTICA INTERNACIONAL

Talita Rivana Campos Cavalcante, Raphael Spode

Resumo


Nos últimos anos, alguns estudiosos têm assumido a relevância da releitura do
pensamento de nacionais, e os precursores desse movimento admitem a dimensão deste
tipo de investigação no terreno da produção do conhecimento em Relações
Internacionais. A investigação da recepção e adaptação de Norman Angell no
pensamento de Rui Barbosa se insere, portanto, neste movimento que tem como vistas
oferecer para aqueles que atuam na área um conhecimento maior dos fundamentos que
balizam o pensamento brasileiro sobre política internacional. No limiar desta
investigação faz-se inevitável ainda rever pensadores políticos brasileiros em atividade e
envolvimento em questões internacionais de extrema relevância para o Brasil no
período da primeira república, destacando-se entre os luminares, Rio Branco e Joaquim
Nabuco, sem olvidar o próprio Rui Barbosa, que passava por uma fase de extraordinária
notoriedade por seus feitos tanto em âmbito nacional quanto internacional. Nesse
aspecto, este estudo investiga o caráter do indivíduo Rui Barbosa apartado das
venerações a que lhe são atribuídas, voltando-se genuinamente a moral e a
espiritualidade muito presentes em seus discursos e ações políticas. É nesse contexto
que Rui Barbosa manifesta-se sobre a paz e a guerra, a justiça e as liberdades
individuais. Ao tratar da Grande Guerra em andamento no Velho Mundo, Rui fala com
desilusão e em tom de fracasso. Volta-se à moral cristã e refuta que o evangelho está
sendo, àquela circunstância, substituído pela religião da pólvora. Traz à tona a falácia
das previsões da Conferência de Paz, em Haia, à ocasião em que se defendia a justiça e
a virtude do Direito, harmonia das leis históricas, o equilíbrio entre as nações. Elucida
que são as ideias as causas essenciais da guerra. A guerra, e mesmo a paz, portanto, são
produto de como se faz uso das ideias, seja no campo da justiça ou falsidade. Eis o
contraponto: enquanto Norman Angell trata da guerra sob a ótica da ilusão, Rui Barbosa
sustenta a ideia de desilusão. Não apenas no tocante a citação que Rui Barbosa faz a
Norman Angell, esta investigação admite que há um impacto sensível das obras de
Angell na retórica de Rui Barbosa


Palavras-chave


Teoria das Relações Internacionais. História das ideias. Pensamento diplomático brasileiro.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n2.2016.5560

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