A RELEVÂNCIA DE ZOROASTRO PARA AS CONCEITUAÇÕES PÓSHEGEMÔNICAS DA ORDEM MUNDIAL

Alice Menezes Gashti, Raphael Spode

Resumo


A presente pesquisa objetiva resgatar o pensamento e a doutrina de Zoroastro,
sábio, legislador e poeta da Pérsia antiga. Esse movimento de resgate faz parte de uma
tendência, em Relações Internacionais, de retornar ao passado em busca de alternativas,
novas maneiras de ver e interpretar o mundo social e político. Diante dos dilemas éticos
e morais vivenciados pela presente geração, os apelos em torno da renovação da ordem
social e política exigem uma investigação da própria sociedade, em busca da
compreensão de possibilidades emancipatórias contidas nela mesma, apesar de suas
construções patológicas, muitas delas elaboradas em formas de dominação. A crença é
de que em meio às ideias vitoriosas no tempo houveram doutrinas silenciadas: elas
jazem parcialmente ocultas sob as edificações teórico-filosóficas vigentes. Assim, devese
buscar, numa revisão da edificação civilizacional, possíveis etapas que ofereciam
outras saídas e alternativas para a humanidade; mas, vencidas, ficaram depositadas nas
camadas do tempo. O desafio, portanto, é empreender uma “arqueologia do saber” para
reencontrar, nos fundamentos da civilização vigente, tendências culturais, intelectuais,
religiosas, sociais, políticas e econômicas, capazes de eliminar um ou outro abuso.
Dentre as várias contribuições e tradições espalhadas pelo mundo, é possível imaginar
antigas civilizações, tais como a Pérsia, como um repositório de importantes reflexões
sobre moralidade, sociedade, política e economia. Nela, encontra-se o Zoroastrismo,
uma doutrina que desempenhou um importante papel no desenvolvimento de regiões
consideradas como o berço de nossa civilização atual. O Zoroastrismo busca, por meio
de uma metafísica, observar a natureza, os indivíduos e suas relações para sugerir um
guia de ação cujo propósito é preveni-los dos males existenciais. Nesse espírito, essa
pesquisa pretende conhecer os fundamentos ontológicos da doutrina de Zoroastro, nos
seus próprios termos culturais e históricos, com a finalidade de repensar, mais tarde, e
criticamente, os nossos pressupostos, assumidos, muitas vezes, como “verdades” em
teorias vigentes da sociedade e das Relações Internacionais. Do ponto de vista das
Relações Internacionais, a pesquisa se insere num movimento metodológico mais
abrangente de releitura de obras clássicas que tem por objetivo recuperar valores éticos
e religiosos em tempos de crise e perturbação moral


Palavras-chave


Teoria das Relações Internacionais. Teoria Crítica. Zoroastrismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n2.2016.5533

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