A COBERTURA DA PAUTA DE DESIGUALDADE EM TEMPOS DE CRISE POLÍTICA

Gabrielli Mayumi Nicolau, Gilberto Gonçalves Costa

Resumo


Este artigo aborda a construção social da realidade e tenta contribuir com o debate sobre a relação entre a reportagem de acontecimentos na imprensa e as análises dos fatos considerados de interesse público com a manutenção de valores sociais e do status quo. O pressuposto é que o jornalismo tem dinâmicas que influenciam e sofrem influência dos fatos que a rigor apenas reportam. O estudo apresenta resultados de pesquisa que analisa cerca de 80 reportagens, notas e artigos de opinião da grande imprensa que citam desigualdade social. Os textos foram publicados nos sites da Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, entre 1º de janeiro e 25 de abril de 2016 – período que marca o fim do governo Dilma Rousseff. De acordo com o observado, a maior parte do material publicado se dividiu entre as seções de Economia e Opinião, em textos predominantemente assinados. Apesar das diversas dimensões da desigualdade no Brasil, grande parte das publicações não qualifica a natureza do problema; a maioria absoluta tem no máximo uma fonte de informação, há pouquíssima margem para visões contraditórias e é insignificante a aparição do cidadão comum nas matérias, seja como personagem da notícia, testemunha ou fonte de informação. Ressalta-se que a cobertura das pautas de política e economia no período indicado mereceu questionamento e protestos dos movimentos sociais, intelectuais, parlamentares de esquerda e quadros do antigo governo. As críticas sobre eventual tendenciosidade da cobertura se restringiu, no entanto, à divulgação de denúncias da Operação Lava Jato, ao noticiário sobre os três Poderes e a respeito das manifestações em favor e contra o governo e o Partido dos Trabalhadores. Não se verificou um debate aprofundado sobre a evolução da cobertura dos históricos problemas brasileiros, como é o caso da desigualdade social, no cenário da crise. Nesse sentido, o artigo colabora para suscitar a discussão sobre o feitio da cobertura, que omite aspectos do problema e, assim, acaba por contribuir com o quadro social e a reprodução simbólica da realidade


Palavras-chave


Desigualdade. Jornalismo. Construção social da realidade. Reprodução simbólica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n2.2016.5530

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