QUESTÕES RACIAIS NA SOCIEDADE BRASILEIRA A PARTIR DA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES E PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO

Míria Lopes de Amorim, Ana Flávia do Amaral Madureira

Resumo


O “mito da democracia racial” tem dificultado a efetividade de políticas públicas voltadas à
promoção da igualdade racial na nossa sociedade. Reconhecemos, sobretudo, que a escola
pode ser um espaço promissor para a valorização da diversidade racial, visando contribuir
com a promoção da igualdade racial no Brasil. Nesse sentido, este trabalho traz discussões
atuais acerca das questões raciais à luz da perspectiva da psicologia cultural, em diálogo com
algumas contribuições da psicologia social e das ciências sociais. Assim, buscamos investigar
como o ambiente escolar tem promovido discussões críticas acerca das questões raciais e em
que medida as escolas podem promover a desconstrução do racismo e contribuir com a
construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos. O objetivo geral da pesquisa
foi analisar as concepções e crenças de estudantes e profissionais da educação do Ensino
Fundamental II em relação às questões raciais na sociedade brasileira. Foi utilizada a
metodologia qualitativa, com a realização de entrevistas individuais semiestruturadas e
apresentação de imagens previamente selecionadas. A pesquisa de campo foi realizada com
cinco estudantes e cinco professores/as de diferentes escolas de Ensino Fundamental II do
Distrito Federal, selecionados via rede social da pesquisadora assistente. Após a transcrição
das entrevistas, foram construídas categorias analíticas temáticas que orientaram o trabalho
interpretativo. Os resultados indicaram que os profissionais da educação entrevistados
percebem a importância de se discutir temas polêmicos no contexto escolar, incluindo temas
relativos ao racismo no Brasil. Os estudantes entrevistados também expressaram em seus
discursos a importância de estudar questões raciais na escola, como uma forma de ajudá-los
na elaboração de reflexões críticas, no sentido de contribuir com a construção de uma
sociedade mais igualitária. Todavia, apesar dos profissionais da educação identificarem a
necessidade de discutir questões raciais no contexto escolar, podemos verificar que eles têm
pouco embasamento teórico acerca da temática. O que pode ser o resultado de uma formação
inicial que não contempla tais questões nos cursos de licenciatura. No que tange à formação
continuada, os profissionais entrevistados, quando buscam se especializar, buscam cursos nas
suas respectivas áreas de atuação, mas não cursos que abordam as questões raciais e suas
relações com a educação, mesmo que na prática docente sejam desafiados constantemente a
lidar com tais questões no cotidiano escolar. Para lidar com as questões raciais no âmbito da
sua atuação profissional, os professores entrevistados tendem a utilizar recursos ancorados,
basicamente, em suas opiniões e experiências pessoais. A falta de conhecimentos científicos
mais aprofundados e sistematizados sobre as questões raciais acaba por limitar as
possibilidades de intervenção pedagógica. Portanto, a pesquisa indicou a necessidade de
inclusão efetiva das questões raciais na formação docente, inicial e continuada


Palavras-chave


Questões raciais e educação. Racismo. Formação docente

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n1.2015.5444

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