OS PROCESSOS SUBJETIVOS PRODUZIDOS POR UMA PESSOA DIAGNOSTICADA COM SÍNDROME DO PÂNICO: A SINGULARIDADE DA EXPERIÊNCIA

Ana Carolina Arruda Penna, Valéria Deusdará Mori

Resumo


Essa pesquisa é um fruto de uma análise qualitativa dos processos subjetivos dentro de um enfoque singular. Esse foi um estudo embasado na Teoria da Subjetividade e na Epistemologia Qualitativa desenvolvida por González Rey, na qual a produção de conhecimento possui três características: a primeira é a importância do singular no processo, ou seja, há uma valorização da experiência subjetiva para se compreender o contexto da pesquisa; a segunda é o caráter construtivo interpretativo do conhecimento, onde ele é uma produção teórica do pesquisador além do momento empírico; como terceira característica e onde essa pesquisa se fundamenta é assimilar a pesquisa como um processo de comunicação, um processo dialógico no qual por meio da expressão o participante emerge os diferentes sentidos subjetivos que ele produz. O objetivo principal dessa pesquisa foi compreender os processos subjetivos que se caracterizam na experiência da síndrome do pânico, tendo como foco a singularidade desse processo e o conceito de pessoa como produtora de sentidos de sua própria vivência. Diante dessa perspectiva foi abordado as particularidades do processo de saúde e doença dentro de uma perspectiva singular a patologização da pessoa diante do discurso médico vigente, reduzindo a pessoa à entidade patológica, ignorando os processos singulares de cada um. O método utilizado foi o método construtivo-interpretativo elaborado por González Rey. A pesquisa foi desenvolvida com um estudo de caso com uma mulher de 31 anos que foi diagnosticada com síndrome do pânico. Os instrumentos de pesquisa utilizados foram a dinâmica conversacional e o complemento de frases. Na discussão os instrumentos foram o que possibilitaram a interpretação da expressão da participante e assim possibilitaram compreender os sentidos subjetivos que norteiam esse processo singular da doença. Como resultados foi possível observar que a subjetividade social dominante, que prega por um conceito patológico fixo e constante, se fez constantemente presente na expressão da participante, o que acaba por reduzi-la à doença e minimizando sua posição diante do processo. A pesquisa possibilitou um olhar aprofundado para os discursos sociais atuais e que se pautam na clínica médica, onde um problema que, aparentemente, se organiza pontualmente pode ser tratado pontualmente. O tratamento de sintomas não auxilia a pessoa a pensar sobre sua condição e sua possibilidade de se posicionar diante dela, o que muitas vezes traz contradições na experiência


Palavras-chave


Subjetividade. Pânico. Patologização

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DOI: http://dx.doi.org/10.5102/pic.n1.2015.5437

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